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Banzo Mayté, Pato e Silva Isabelle, Valette Elodie. Lisboa e as suas periferias . In: Sud-Ouest européen, tome 24, 2007. Lisbonne, en ses périphéries (Coordonné par Mayté Banzo, Isabel Pato e Silva et Elodie Valette) pp. 7-11.

www.persee.fr/doc/rgpso_1276-4930_2007_num_24_1_3939

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Introduçâo

conduziram ao nascimento da métropole e da regiâo de Lisboa. A autora identifica as grandes etapas desta constru- çâo através de quatro figuras: a cidade originaria, a cidade moderna, a métropole e a cidade-regiâo fragmentada. Com efeito, Lisboa pensa-se doravante à escala regional : o surgimento de urna métropole policêntrica produz dinámicas de fragmentaçâo espacial e social. A colocaçâo em causa da hegemonía do centro é acompanhada pelo desen- volvimento de novos polos de comercio e de serviços ñas periferias urbanas.

Matthieu Giroud interroga a evoluçâo da relaçâo centro- periferia analisando o caso de um bairro da periferia próxima, Alcántara. Numa análise geohistórica, o autor mostra o carácter relativo da perifericidade ou da centralidade deste espaço urbano e o carácter social e político da liga- çâo do mesmo à cidade de Lisboa ao longo do século pas- sado. Sublinha assim a obselescência do modelo centro- periferia para qualificar a posiçâo do bairro e propôe a noçâo de acesso que, invocada tanto por actores institu- cionais como por habitantes, parece hoje melhor exprimir as mudanças de posiçâo do bairro considerando as inter- vençôes e as políticas públicas urbanas que sobre ele incidem.

Finalmente, Dominique Crozat analisa a transformaçâo da métropole e das suas representaçôes através do cinema e da literatura. As referencias utilizadas pelo autor mostram bem a evoluçâo do olhar sobre a cidade e a passagem da « cidade branca » (centro histórico e suas extensôes) à cidade sombría e sem referencias da periferia, evidenciada pelo cinema « sombrío ». Estas referencias teste- munham o novo lugar que a periferia ocupa ñas representaçôes dos artistas portugueses.

2 - Um segundo grupo de artigos questiona-se sobre a construçâo socio-espacial de urna urbanidade específica da periferia através da análise das (novas) formas de espaço público por um lado (H. Cachinho) e da análise da relaçâo entre aloj amento e/ou lugar de residencia, marginali- zaçâo socio-espacial e reinvindicaçâo identitária por outro (I. Pato e Silva, A. P. Beja Horta, J. Malheiros). Herculano Cachinho constata que ñas periferias de Lisboa nâo sâo mais a praça ou o passeio público que constituem os lugares privilegiados de encontró, mas os imensos centros comerciáis. Procurando reconstruir no seu seio a lógica da cidade tradicional (praças, ruas...) e propondo « urna cidade convivial » para urna sociedade de consumo, estes novos espaços comerciáis testemunham a tendencia crescente para a privatizaçâo da cidade e do espaço público. Isabel Pato e Silva questiona igualmente a importancia do espaço público como quadro da construçâo de sociabilidades de urna populaçào particular : os jovens. Propôe um quadro de análise das formas de apropriaçâo do espaço

pelos jovens ditos « visíveis » em contextos urbanos fragmentados. A autora mostra que as formas de apropriaçâo do espaço público ñas áreas fragmentadas pode asse- melhar-se aos modos de apropriaçâo observados em espaços mais segregados. Esta observaçâo implica a necessi- dade de integrar a análise de áreas urbanas socialmente mais diversificadas no estudo do fenómeno de segregaçâo socio-espacial dos jovens.

A questâo da marginalizaçâo socio-espacial é, de resto, o objectivo da reflexâo dos dois artigos seguintes que se debruçam sobre o bairro da Cova da Moura. Este bairro, como outros na aglomeraçâo, concentra urna forte propor- çâo de populaçào imigrada de primeira, segunda ou mesmo de terceira geraçâo que co-habita com populaçào de origem portuguesa. A situaçâo de precariedade na quai continuam a viver as populaçôes destes bairros está, em parte, ligada aos atrasos registados na aplicaçâo do PER e à manutençâo de situaçôes de indefiniçâo. Como bem o mostra Ana Paula Beja Horta, esta indefiniçâo tende a ser um dos principáis factores de emergencia dos sentimentos de relegaçâo e de ilegalidade que se insta- laram entre os residentes deste bairro. Neste artigo anali- sa-se o processo de produçâo de urna imagem estigmatizada no bairro da Cova da Moura, processo mobilizado tanto por factores de ordem interna como externa, reinter- pretados ñas práticas (Soja, 1993) dos políticos, media, planeadores e dos próprios habitantes. A autora sublinha a importancia do espaço e das ideologías subjacentes ao discurso sobre o espaço, concebidos aqui como os vectores fundamentáis da produçâo de urna representaçâo forte- mente estigmatizada da Cova da Moura, representaçâo que associa pobreza, ilegalidade, imigraçâo. Este processo exprime-se em si mesmo no « espaço vivido » dos habitantes (Soja, 2000), no seio do qual se reconfiguram referencias identitárias imaginadas e situaçôes concretas de exclusâo.

Tomando para estudo o mesmo bairro, Jorge Malheiros propôe urna abordagem prospectiva na qual se centra sobre o papel da cultura e da criatividade como estrategia para a integraçâo e para o reconhecimento dos jovens com origem imigrante residentes em bairros sensíveis. No quadro da iniciativa Operaçâo de Qualificaçâo e Inserçâo Urbana dos Bairros Críticos e do Plano de Acçâo elaborado para a Cova da Moura, o autor mostra como o eixo cultural se afigura urna estrategia privilegiada de recons- truçâo identitária para os jovens e para o bairro em si mesmo.

3 - A urbanidade das periferias é igualmente o produto da acçâo dos que a planeiam e asseguram a gestào das infraes- truturas urbanas, das redes de transporte, do fundiário...

Sud-Ouest Européen, n°24, 2007

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